Matéria: Doença Hemorroidária

A importância da avaliação psicológica na cirurgia da obesidade

Quando o assunto se refere à cirurgia da obesidade surgem muitas dúvidas. Em geral achamos que só o estômago será restringido, mas o paciente deve ser informado que, com o tempo muitos hábitos alimentares adquiridos desde a infância irão mudar e que isto afetará sua vida como um todo e não só diz respeito ao estômago. É necessário um apoio psicológico especializado no pré - operatório para que o paciente saiba quais serão os passos seguintes no pós - operatório.

O psicólogo vai atuar em uma equipe multidisciplinar tentando colaborar com os profissionais para que o paciente tenha benefícios em seu tratamento. Temos como principal foco o atendimento psicológico aos pacientes portadores de obesidade e obesidade mórbida, visando uma maior adequação social, no trabalho e também no grupo familiar. 

Buscamos elevar a auto-estima do paciente e desenvolver uma melhor aceitação frente à doença e à vida, trabalhando com relação ao próprio preconceito.
(Sou gordo e preciso me ver diferente disso já que vou emagrecer e qual é a minha expectativa de vida, ou seja, o que espero de mim mesmo daqui para frente).

As queixas mais freqüentes dos pacientes se referem aos aspectos psicossociais:

Dificuldades para: andar, dormir, caminhar, exercícios físicos em geral, diminuição da libido, vergonha do parceiro sexual, inibição social quanto ao vestuário (tamanho das roupas, comprar roupas) e ir à lugares públicos (shopping center, praia, clube, festas ou mesmo ir ao trabalho). Vários casos associam as comorbidades como: apnéia do sono, diabetes, hipertensão arterial e problemas ortopédicos variados.

Desde quando o acompanhamento psicológico é utilizado no tratamento do paciente obeso?  

A Obesidade até cerca de quinze anos atrás ainda era vista com um forte estigma social, que para o indivíduo obeso vinha desde a infância , adolescência e na  fase adulta acompanhadas por julgamentos sociais negativos como: 

* Feio, relaxado, preguiçoso, incompetente; 
* Rejeitado, tem falta de controle e de vontade para emagrecer;
* Discriminado no trabalho.

Atualmente a obesidade é vista como uma doença que segundo FRANQUES (2002): 

"…é uma doença que afeta o homem nos seus aspectos físico, psíquico e social… condição clínica multi-determinada."

Relevância psicológica da cirurgia bariátrica nos dias de hoje:

Pacientes infanto-juvenis com índices de massa corporal elevados com certeza se tornarão adultos obesos e só através da cirurgia bariátrica terão chances de sobrevida, de trabalho, de felicidade e de saúde mental. Então, hoje é necessário ajudar obesos mórbidos a encontrarem outras saídas que não sejam a limitante obesidade!

Quando um paciente está apto para a cirurgia? 

É realizada uma avaliação psicológica dos pacientes indicados pelos médicos para procedimento cirúrgico e inclui, no mínimo, três entrevistas psicológicas e uma sessão devolutiva. O objetivo principal é observar o estado psíquico em que o paciente se encontra, ou seja, se o mesmo se encontra vinculado à realidade ou não, como ele optou pela cirurgia e se já passou por outros tratamentos clínicos antes do cirúrgico. É importantíssimo que tenha participado das reuniões abertas ( Palestras ) com pacientes operados, que irão operar, seus familiares e com os profissionais envolvidos.  O consentimento e apoio familiar são muito importantes. O atendimento dos familiares é utilizado para orientação de como podem ajudar o paciente no processo pós-operatório, apresentando uma atitude afetiva e colaborativa.
O paciente recebe uma orientação e preparação para o procedimento cirúrgico onde tentamos desenvolver um comportamento assertivo frente à cirurgia, pós-operatório e dieta líquida para favorecer sua recuperação e melhorar sua colaboração junto ao trabalho médico e nutricional - foco na mudança de comportamento alimentar.

Quem não deve ir para cirurgia?

Pacientes portadores ou potencialmente mais sujeitos a distúrbios psicológicos graves com histórico de tratamento psiquiátrico seguido de internação ou que fazem uso de medicações que alterem a consciência do ¨eu¨. Também não deve ir para a cirurgia psicóticos, deprimidos graves, usuários de drogas ou álcool, portadores de bulimia ou anorexia.

Acompanhamento psicológico na fase pós-operatória.


A cirurgia da obesidade apresenta para o paciente uma nova perspectiva de vida. Várias possibilidades se abrem para que o paciente possa percorrer um novo caminho, uma nova maneira de viver. Alguns pontos devem ser focados abrangendo a melhoria na sua qualidade de vida: recuperação da auto-estima e dos sentimentos de menos valia, uma reaproximação social que levará você a um contato mais estreito com o lazer, freqüentar festas sem restrições ou sentimentos de vergonha, retomar suas atividades esportivas como medida de bem-estar e saúde, fazer as pazes com seu vestuário e poder usar "aquelas roupas" que tanto desejava. O paciente perceberá que com todas essas mudanças o seu corpo irá passando por uma transformação que provocará também novas idéias, novos pensamentos e conseqüentemente mudanças em seu modo de se perceber e agir. Além de encontrar novos horizontes é preciso que ocorra o envolvimento com outros projetos de vida como: cursos diversos, retorno à atividades profissionais e esportivas, passeios, viagens, novas amizades e novos círculos sociais.
O acompanhamento é feito por tempo limitado e é indicado aos casos que não tem distúrbios psicológicos graves e parecem reunir condições para lidar com as modificações que terão que enfrentar após a cirurgia e o emagrecimento. A psicoterapia de longa duração é indicada aos pacientes que irão submeter-se a cirurgia mas que necessitam de um acompanhamento psicoterápico pós-cirúrgico. Não especificamos o tempo de tratamento psicológico, vamos acompanhando o paciente até que juntos decidimos quando é hora de interromper porque ele já se sente pronto para enfrentar suas angústias sozinho.