Para começarmos a entender a doença do refluxo é preciso saber que antes mesmo de colocarmos um alimento na boca, a primeira etapa da digestão já estará acontecendo em nossa cabeça. Basta perceber que estamos com fome ou com
"vontade de comer" e nosso órgão da digestão já começa a trabalhar! Ocorre aumento da salivação e de suco gástrico (rico em substâncias ácidas) responsável pelo trabalho de digestão dos alimentos. Antes de engolir trituramos os alimentos, através da mastigação, misturando-os com a saliva.
Depois que ingerimos o alimento, o mesmo começa a percorrer o esôfago – um tubo muscular localizado no meio do peito, condutor do alimento da boca ao estômago. Na parte final deste
"tubo" existe uma espécie de
"válvula" (esfíncter) que se abre para deixar o alimento descer para o estômago. Em seguida, o esfíncter se fecha, impedindo que o suco gástrico e os alimentos voltem para o esôfago. Quando esta válvula não funciona bem, ocorre o refluxo (retorno) do conteúdo do estômago para o esôfago.
A camada de células que reveste o tubo digestivo (mucosa) não é igual do começo ao fim, e têm características diferentes ao longo deste percurso. No esôfago, a mucosa é frágil e não suporta o contato prolongado com a acidez do estômago. Então, se o suco gástrico reflui para o esôfago, ele provoca aquela queimação que vai do estômago para o peito , podendo chegar até a garganta. A sensação que o refluxo provoca é a chamada azia. De maneira mais difícil, o suco gástrico pode subir até a boca junto com o alimento, é o que chamamos de regurgitação.
A azia é o principal sintoma da DRGE, e pode acontecer em qualquer um de nós quando comemos demais. Mas se é freqüente, então a pessoa tem a Doença do Refluxo Gastresofágico – DRGE. Na maioria dos casos o refluxo é apenas uma irritação da mucosa, que provoca queimação, mas em outros casos o refluxo acaba provocando feridas na parte inferior do esôfago. Através do exame chamado endoscopia é possível saber se o esôfago apresenta ou não lesões. A pessoa pode ter DRGE com ou sem lesões. O tratamento é importante para ambos os casos!
O contato prolongado da mucosa do esôfago com o suco gástrico refluído pode causar erosões (feridas superficiais) ou mais raramente úlceras (feridas profundas) ou até estenose (estreitamento da parte inferior do esôfago). As lesões do esôfago podem levar a sangramento crônico, provocando anemia. Em outros casos, a inflamação crônica facilita o surgimento de câncer no esôfago.
Outros sintomas atípicos podem ocorrer na DRGE, como a tosse, rouquidão, bronquite, asma e dor no peito, e que apenas o médico poderá distingui-lo com precisão.
Para chegar ao estômago o esôfago passa pelo hiato – um orifício do músculo diafragma (separa o tórax do abdômen). Se este orifício está alargado, mais frouxo do que deveria ser, a parte superior do estômago acaba deslizando para dentro do tórax , formando a chamada hérnia do hiato, e esta condição pode intensificar o refluxo.
O tratamento para a DRGE depende da intensidade de seus sintomas e do resultado dos seus
exames. Seu médico pode recomendar a mudança de hábitos comportamentais e alimentares, o tratamento medicamentoso ou ambos.
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A mudança de hábitos consiste em: |
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Evite fumar. O cigarro diminui invariavelmente a proteção da mucosa do estômago. |
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Evite deitar ou fazer esforço com o estômago cheio. |
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Perca peso se estiver acima de seu peso ideal. |
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Evite roupas apertadas, pois estar acima do seu peso ideal e usar roupas apertadas podem comprimir o seu estômago facilitando o refluxo. |
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Evite alimentos que prejudiquem a digestão e facilitam o refluxo (frituras, gordurosos, chocolate, condimentos fortes, excesso de alho/cebola, café). |
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Evite encher demais o seu estômago, pois a digestão fica mais demorada, facilitando o refluxo. |
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Eleve a cabeceira da cama, principalmente se você costuma ter azia durante a noite. Utilize um calço de 15 a 20 cm. Não adianta tentar recorrer aos travesseiros. É a cama que tem de ficar levantada. |
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Coma mais vezes ao dia, mas sempre em pequenas quantidades. |
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Evite misturar suco, refrigerantes ou água durante as refeições. Prefira tomar líquidos sempre antes ou 1 hora depois. |
Se a azia ocorre uma vez ou outra, um antiácido comum ajuda a aliviar os sintomas. Se for freqüente, seu médico poderá prescrever os potentes inibidores de ácido, que fazem desaparecer a queimação em um ou dois dias. Estes mesmos medicamentos também ajudam a curar as lesões no esôfago em um
ou dois meses. Mas quando se suspende a medicação, em geral a queimação reaparece, porque o estômago volta a produzir ácido, já que a origem do problema está no funcionamento da
"válvula" . Então, manter a medicação por um período maior, vai depender de uma decisão caso a caso, entre o paciente e o médico. Em alguns casos, a decisão é tomar a medicação na dose adequada durante muitos anos. Do mesmo modo que um paciente com pressão alta precisa de tratamento prolongado.
Outra alternativa para não se usar o remédio para sempre é a cirurgia de correção do refluxo que tenta corrigir o refluxo do suco gástrico. Atualmente existe a cirurgia videolaparoscópica que dispensa a necessidade de
"abrir a barriga". Este recurso é indicado principalmente quando existe uma hérnia do hiato, que prejudica ainda mais o funcionamento do esfíncter. |